O Juramento de Hipócrates simboliza a aceitação pelo aluno/futuro médico de um conjunto de normas de comportamento da Arte Médica que remontam à Antiguidade e à escola que Hipócrates (c.460 -370 AC) fundou na ilha de Cós. De então até hoje, a declaração tem sido adaptada às sensibilidades e circunstâncias de cada época, ainda que sem alteração relevante no significado. A par de muitas e memoráveis intervenções, demonstrativas de interiorizado espírito de missão e dedicação insuperável em prol dos doentes e da comunidade, a história antiga e contemporânea inclui também, infelizmente, exemplos lamentáveis e contrários aqueles propósitos, protagonizados por médicos no exercício da sua profissão.Para obviar situações eticamente incorrectas tem havido grande empenhamento a nível mundial, por parte das autoridades médicas e governamentais, no sentido de regulamentar os direitos humanos, em particular quando no âmbito de estudos e outros tipos de intervenção médica em doentes e respectivos produtos biológicos. Porém, estas normas, por si só, não têm evitado, infelizmente, a ocorrência de novos focos de má conduta ética, no âmbito da investigação médica e biomédica. Na primeira partedo tema que agora se inicia, será dado destaque a algumas das experiências documentadas que foram realizadas em humanos nos séculos XVIII e XIX e que exemplificam situações clínicas eticamente reprováveis, ainda que ocorrentes numa época em que este tipo de preocupações não era ainda sistematicamente escrutinado.O primeiro dos casos decorreu no contexto da descoberta da vacinação anti-variólica , por Edward Jenner, c. 1796. O segundo exemplo incide no processo que o cirurgião militar William Beaumont utilizou para esclarecer o mecanismo da digestão humana, considerado um dos principais sucessos da fisiologia do século XIX.O terceiro caso inclui os procedimentos seguidos por Arthur H Wentworth, médico do Children’s Hospital e Harvard Medical School, c. 1895,com o propósito de estudar a reacção à dor. Para o efeito, colheu líquido raquidiano 29 crianças (com idades entrealguns meses e poucos anos).
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Ética Médica: Factos e Conflitos da Ciência Moderna (Parte I)
Alguns Casos de Ética Irregular ou Censurável em Experimentação Humana, nos Séculos XVIII e XIX.
O Juramento de Hipócrates simboliza a aceitação pelo aluno/futuro médico de um conjunto de normas de comportamento da Arte Médica que remontam à Antiguidade e à escola que Hipócrates (c.460 -370 AC) fundou na ilha de Cós. De então até hoje, a declaração tem sido adaptada às sensibilidades e circunstâncias de cada época, ainda que sem alteração relevante no significado. A par de muitas e memoráveis intervenções, demonstrativas de interiorizado espírito de missão e dedicação insuperável em prol dos doentes e da comunidade, a história antiga e contemporânea inclui também, infelizmente, exemplos lamentáveis e contrários aqueles propósitos, protagonizados por médicos no exercício da sua profissão.Para obviar situações eticamente incorrectas tem havido grande empenhamento a nível mundial, por parte das autoridades médicas e governamentais, no sentido de regulamentar os direitos humanos, em particular quando no âmbito de estudos e outros tipos de intervenção médica em doentes e respectivos produtos biológicos. Porém, estas normas, por si só, não têm evitado, infelizmente, a ocorrência de novos focos de má conduta ética, no âmbito da investigação médica e biomédica. Na primeira partedo tema que agora se inicia, será dado destaque a algumas das experiências documentadas que foram realizadas em humanos nos séculos XVIII e XIX e que exemplificam situações clínicas eticamente reprováveis, ainda que ocorrentes numa época em que este tipo de preocupações não era ainda sistematicamente escrutinado.O primeiro dos casos decorreu no contexto da descoberta da vacinação anti-variólica , por Edward Jenner, c. 1796. O segundo exemplo incide no processo que o cirurgião militar William Beaumont utilizou para esclarecer o mecanismo da digestão humana, considerado um dos principais sucessos da fisiologia do século XIX.O terceiro caso inclui os procedimentos seguidos por Arthur H Wentworth, médico do Children’s Hospital e Harvard Medical School, c. 1895,com o propósito de estudar a reacção à dor. Para o efeito, colheu líquido raquidiano 29 crianças (com idades entrealguns meses e poucos anos).
O Juramento de Hipócrates simboliza a aceitação pelo aluno/futuro médico de um conjunto de normas de comportamento da Arte Médica que remontam à Antiguidade e à escola que Hipócrates (c.460 -370 AC) fundou na ilha de Cós. De então até hoje, a declaração tem sido adaptada às sensibilidades e circunstâncias de cada época, ainda que sem alteração relevante no significado. A par de muitas e memoráveis intervenções, demonstrativas de interiorizado espírito de missão e dedicação insuperável em prol dos doentes e da comunidade, a história antiga e contemporânea inclui também, infelizmente, exemplos lamentáveis e contrários aqueles propósitos, protagonizados por médicos no exercício da sua profissão.Para obviar situações eticamente incorrectas tem havido grande empenhamento a nível mundial, por parte das autoridades médicas e governamentais, no sentido de regulamentar os direitos humanos, em particular quando no âmbito de estudos e outros tipos de intervenção médica em doentes e respectivos produtos biológicos. Porém, estas normas, por si só, não têm evitado, infelizmente, a ocorrência de novos focos de má conduta ética, no âmbito da investigação médica e biomédica. Na primeira partedo tema que agora se inicia, será dado destaque a algumas das experiências documentadas que foram realizadas em humanos nos séculos XVIII e XIX e que exemplificam situações clínicas eticamente reprováveis, ainda que ocorrentes numa época em que este tipo de preocupações não era ainda sistematicamente escrutinado.O primeiro dos casos decorreu no contexto da descoberta da vacinação anti-variólica , por Edward Jenner, c. 1796. O segundo exemplo incide no processo que o cirurgião militar William Beaumont utilizou para esclarecer o mecanismo da digestão humana, considerado um dos principais sucessos da fisiologia do século XIX.O terceiro caso inclui os procedimentos seguidos por Arthur H Wentworth, médico do Children’s Hospital e Harvard Medical School, c. 1895,com o propósito de estudar a reacção à dor. Para o efeito, colheu líquido raquidiano 29 crianças (com idades entrealguns meses e poucos anos).
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