quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Da Descoberta da Circulação Sanguínea aos Primeiros Factos Hemorreológicos (2ª Parte)

Nesta segunda e última parte é recordada, em suas secções (A e B) a contribuição de mais duas personalidades geniais, respectivamente Marcello Malpighi e Antoine Van Leeuwenhoek, os quais, pela originalidade dos seus trabalhos, confirmaram as observações pioneiras de Harvey, completando-as ainda com factos relevantes. Malpighi aplicou o microscópio óptico, até então quase só utilizado como o curiosidade mundana, ao estudo in vitro de componentes dos tecidos corporais de varias espécies. Deste conjunto de observações pioneiras destaca-se a visualização, pela primeira vez, das estruturas capilares e dos glóbulos sanguíneos, de que resultaram a definição da composição do sangue e a conceptualização, inédita, sobre a respectiva fluidez. Adicionalmente, Malpighi confirmou a continuidade (estrutural e funcional) da circulação sistémica, que Harvey não tivera possibilidade de demonstrar. Por seu lado, Van Leeuwenhoek, apesar de desprovido de preparação académica soube ver, através de lentes por ele construidas, as particularidades microscópicas da natureza orgânica e inorgânica que o rodeavam. Entre inúmeras e pormenorizadas observações em todo o tipo de matéria, merecem destaque as conclusões que obteve sobre a natureza do sangue e dos glóbulos vermelhos, a que atribuiu a coloração própria do sangue arterial e venoso. Calculou com rigor apreciável a dimensão dos eritrocitos. Soube distinguir o sangue arterial do venoso, confirmou a função cardíaca como origem do impulso propulsor do sangue pelas artérias e da ritmicidade do pulso e compreendeu o retorno do sangue ate a coração por vasos diferentes, as veias. Visualizou a bifurcação das artérias em vasos com dimensões cada vez mais estreitas ate formarem redes capilares que originavam, por seu lado, canais venosos sucessivamente mais alargados. Demonstrou a existência de anastomoses arterio-venosas. Verificou o fenómeno da sedimentação do sangue e a deformabilidade dos eritrocitos (que variava entre a forma original, discóide ou oval, observada nos troncos vasculares mais volumosos até às formas achatadas, adaptáveis ao diâmetro dos vasos mais estreitas). Neste aspecto distinguiu as características da circulação dos eritrocitos e as alterações subsequentes a coagulação sanguínea, sendo um introdutor perspicaz de conceitos hemorreológicos aplicados à medicina.

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