A definição da cardiopatia isquémica como entidade clínica de etiologia trombogénica foi estabelecida em 1912 por James Herrick. Na origem desta proposta destacam-se os trabalhos de William Heberden que, em 1772, definiu o quadro clínico da angina pectoris e, cerca de um século mais tarde, as observações de Edward Jenner, que evidenciou trombos intracoronários em doentes falecidos com aquela sintomatologia. Fundamentando-se nos anteriores resultados, Jenner e Caleb Parry propuseram que a causa principal da «doença anginosa» tinha origem em alterações das artérias coronárias, sendo a morte súbita naqueles doentes atribuída por Marshall Hall, em 1842, à interrupção da circulação coronária. A existência de uma causa comum para a angina e o enfarte do miocárdio, de que resultaria a diminuição ou privação do fornecimento de oxigénio relativamente às necessidades de oxigenação do miocárdio, a etiologia aterosclerótica das lesões intracoronárias e a importância da fissura das placas de ateroma na formação súbita de trombos intracoronários, foram etapas sucessivamente ultrapassadas durante o século XX, culminando um percurso de observação meticulosa iniciado muito antes.
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