segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Breve História do Raquitismo e da Descoberta da Vitamina D

Desde os primeiros casos de suspeita de raquitismo, referidos por Soranus e Galeno, mediaram cerca de dezoito séculos até a etiologia daquela doença ser esclarecida. O surto de raquitismo verificado no século XVII em Inglaterra fez que a situação fosse conhecida na época por «doença inglesa», sendo então apresentada a sua primeira descrição pormenorizada, por Francis Glisson. O agravamento da incidência do raquitismo com a Revolução Industrial acentuou as especula-ções sobre a sua origem e tratamento. A caracterização da luz solar e do espectro luminoso conduziu à identificação dos efeitos biológicos da radiação ultravioleta e ao descobrimento da fototerapia como processo terapêutico alternativo à irradiação solar. A obtenção de raquitismo experimental por Mellanby e McCollum deu suporte ao conceito que atribuía aquela situação a um defeito nutricional específico. Em alternativa era referida uma relação inversa entre a exposição à luz solar e a incidência do raquitismo. A identificação da natureza química de um factor essencial da dieta com acção anti-raquítica, o ergocalciferol (ou vitamina D2), a par com um outro factor com idênticas propriedades (ainda que mais potente), formado por irradiação solar da pele, o colecalficerol (vitamina D3), foram etapas iniciais para o esclarecimento, preven-ção e tratamento da doença. A presente revisão sumariza a história do raquitismo, a caracteri-zação e propriedades anti-raquíticas da luz e de suplementos dietéticos de natureza lipídica e a identificação das principais formas biológicas da vitamina D.

Sem comentários:

Enviar um comentário