segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Anotações sobre a História do Ensino da Medicina em Lisboa, desde a Criação da Universidade Portuguesa, até 1911

Em rápida sequência são apresentados os acontecimentos que mais marcaram a história do ensino médico em Lisboa, a par de uma perspectiva geral sobre o tipo e estado de desenvolvi-mento da Medicina no País, no período que mediou entre a fundação do Estudo Geral de Lisboa em 1290 e a data da criação da Faculdade de Medicina, como unidade orgânica da Universidade de Lisboa, em 1911. Nesse enquadramento é caracterizado o tipo de cuidados de saúde prestados às populações no tempo do Condado Portucalense e séculos seguintes, os quais foram em grande parte organizados e ministrados por membros do clero em mosteiros, conventos e albergarias instaladas para o efeito. Posteriormente, é iniciado o ensino da Medicina no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, no século XII, que tem desenvolvimento com o envio de membros do clero para estudarem Medicina em universidade estrangeiras. Os primórdios dos estudos médicos em Lisboa são referidos a partir de 1290, no Estudo Geral, depois expandidos com a fixação da Universidade em Coimbra, em 1537. A medicina hospitalar em Portugal foi iniciada no Hospital de Todos-os-Santos, edificado em 1492. Até ao século XIX, além dos médicos diplomados por Coimbra, estavam autorizados a prestar cuidados de saúde os cirurgiões diplomados pelos
hospitais, a par com uma diversidade de outros profissionais igualmente com aprovação das autoridades de saúde. Progressivamente, a partir do século XVI, a Medicina herdada da Antiguidade, em particular pelos textos de Galeno e da escola islâmica, que fundamentavam a prática clínica da época, deu lugar a novas teorias médicas com a substituição dos conhecimentos empíricos pelos de base científica e também pelas doutrinas filosóficas e sociais emergentes. Embora essas modificações não se fizessem sentir em Portugal de modo determinante, em parte devido à expulsão da influente comunidade médica judaica e, também, à perda temporária da independência nacional, a qualidade do ensino praticado melhorou gradualmente. Todavia, somente a partir do século XVIII com a contratação de professores estrangeiros de renome, por iniciativa de D. João V e depois com a reforma pombalina da Universidade, houve um efectivo crescimento na qualidade do ensino médico em Portugal. Na sequência do terramoto de 1755, a tradição do ensino de cirurgia, que havia sido iniciada no Hospital de Todos-os-Santos (entretanto destruído), veio a ser retomada no Hospital Real de São José, através de um curso profissionalizante que habilitava cirurgiões e sangradores. Em 1825 é fundada a Real Escola de Cirurgia de Lisboa e uma sua equivalente no Porto. A Escola de Lisboa continuou alojada no Hospital de São José, sendo convertida (bem como a Escola do Porto), em 1836, na Escola Médico-Cirúrgica. Terminou oficialmente nesta data a diferença entre médicos e cirurgiões mas, somente a partir de 1880, esta posição começou a ser respeitada no preenchimento de lugares de cargos públicos e no acesso indiferenciado aos locais de prática clínica. Apesar de funcionar com grandes limitações estruturais, a Escola de Lisboa adquiriu renome, sendo o seu corpo docente
constituído por prestigiados professores e médicos que, a nível das especialidades em que foram pioneiros, muito contribuíram para o desenvolvimento da medicina nacional e da rede hospitalar de Lisboa, mais tarde aglutinada sob a designação de Hospitais Civis de Lisboa. Em 1911, a Escola Médico Cirúrgica foi transferida para o novo edifício do Campo de Santana, com a designação de Faculdade de Medicina de Lisboa, continuando o ensino hospitalar a ser assegurado nas enfermarias do Hospital de São José.

Clique aqui

Sem comentários:

Enviar um comentário